sábado, 27 de maio de 2017

Sincretismo afro-brasileiro e resistência cultural

Vários significados podem ser atribuídos para o termo “sincretismo”. Segundo o autor Sergio Ferrati, alguns pesquisadores ainda evitam usar essa palavra por considerarem que seu significado indique uma mistura confusa de elementos deferentes. Embora o antropólogo Andre Droogers afirme tenha duplo sentido, sendo usado como misturas de religiões, que é visto como algo negativo por muitos, chegando a propor a abolição do termo. O outro sentido que lhe é dado tem relação com o caráter político, quando grupos com culturas, tradições e valores distintos, se unem contra um inimigo comum.
            Antigamente, no século XVIII, o significado de sincretismo era considerado algo maldito, pois representava união de pensamentos teólogos opostos e até heresia. No Brasil, o termo sofreu mudanças e sua definição foi desconstruída, num país formado por diversidades, todas as religiões são sincréticas, por misturar elementos de vários povos, embora ainda haja preconceitos. Quando se refere em religiões afro-brasileiras, o sincretismo se encaixa como um mosaico de elementos de origens diversas.
            No Brasil, as religiões, tanto o catolicismo quanto na Umbanda e outras religiões afro-brasileiras, apresentam traços que remetem a diversidade. O sincretismo religioso também pode ser visto como um fenômeno religioso, que implica em constatar a mistura de elementos culturais que contribui para a integração de conteúdos de várias origens, não impondo superioridade em nenhuma delas. O fato não diminui o domínio da religião, Pelo contrario, os conflitos existentes, onde uma se diz melhor que a outra ainda é muito existente.
            Na visão de cada individuo qualquer crença religiosa a qual pertence é pura e soberana diante das demais, isso é relativo a ideologia de cada um, pois as pessoas tendem a defender aquilo que acredita. Diante desse fato, os seus líderes procuram praticar seus rituais e tradições da melhor forma possível, tornando o ambiente religioso uma referência de beleza, arte e estética, que estão presentes nas músicas, danças, rituais, pinturas esculturas e também na literatura.
            Segundo o autor, a ideia de pureza, em que cada religião se preocupa em expor, é uma forma de se opor ao sincretismo, trazendo a ideia de confusão, mistura, poluição, a junção de elementos contraditórios. A ideia religião honrada é ao mesmo tempo uma ideologia e um mito. Sincretismo traz por um lado a ideia de uma miscigenação democrática das culturas, onde todos se aceitam e se beneficiam dos elementos agregados, traz a ideia de respeito. Por outro lado traz a imposição feita pelos colonizadores em implantar suas praticas e conhecimentos religiosos, desmerecendo totalmente os costumes dos nativos. Um exemplo claro disso foi a catequização dos índios realizadas pelos Jesuítas, passando por cima de toda e qualquer crença dos mesmos.
            Um fato interessante sobre sincretismo nas religiões afro-brasileiras alguns intelectuais atualmente condenam o sincretismo, por considerarem que as praticas religiosas de origem afro não precisam mais se mascarar por trás do catolicismo, atitude que foi defendida pelos lideres religiosos na Bahia, na II Conferência Mundial da Tradição dos Orixás e Cultura. Porém a igreja católica que tanto tentou impugnar essas tradições, hoje busca conservar o sincretismo, vêm esse fato com “o inculturação”, seu ideal é a purificação dessas religiões. Então ligado a pastoral do negro, o catolicismo passou a implantar  alguns elementos de religiões africanas nas missas.
            Atualmente, o que ocorre no país é o que podemos chamar de ”Guerra Santa”, onde as religiões africanas criaram o movimento de reafricanização, que vem se expandindo no território brasileiro. Esse movimento busca apagar todos os traços do catolicismo em suas praticas religiosas, considerando que esses vestígios deixados pelos colonizadores como impurezas, buscando a pureza africana.
            No país há um conflito permanente entre intelectuais que querem difundir as ideias do sincretismo e outros que querem bani-la, esses confrontos de ideias são constantes. Porém como diz Ferretti, as religiões são fenômenos instáveis, sofrem mudanças e possuem ideias contraditórias, por isso não cabe esse rigor teólogo, uma visão única. Não se deve menosprezar nenhuma das religiões, pois apesar da rigorosidade daqueles que condenam o sincretismo religioso, é fato de que algumas trocas de elementos estão presentes e permanentes, principalmente no que se diz respeito a linguagem. Como o antropólogo holandês Doogers afirma que o termo sincretismo, se distingue daqueles termos preconceituosos e não possui conotação valorativa, essa negatividade é atribuída por aqueles que a criticam.
            Segundo o autor, o sincretismo afro-brasileiro foi uma forma de adaptação dos africanos, foi uma forma de sobrevivência dos africanos no Novo Mundo. Podemos constatar a origem do significado do termo, pois na África era comum quando as civilizações tinham contatos pacíficos ou conflituosos, adotarem divindades das civilizações conquistadas, daí a origem do significado encontrado no dicionário: “reunião de vários Estados da Ilha de Creta contra o adversário comum”.
            Contata-se que muito antes do tráfico de escravos, os povos africanos já haviam recebido influências do catolicismo, com a visita de missionários portugueses no século XV. Segundo o historiador Thornton, essa influencia se misturou as religiões africanas. Um fato que comprova isso e que por muitos é desconhecido é que alguns escravos trazidos para o Brasil já eram cristianizados e batizados, justamente pela presença dos missionários europeus. Os missionários tinham intermediadores nativos que falavam diversas etnias, e assim foi possível a propagação das informações.
            De acordo com os estudos do historiador, Flávio dos Santos Gomes, trás uma outra ideia sobre os quilombos formados pelos negos que fugiram da escravidão que eram submetidos aqui no Brasil, há uma outra realidade por trás dos quilombos entranhado nas matas, marginalizados ou como um local para se refugiar,   conhecidos pela maioria das pessoas. Alguns quilombos como o Igaraçu, localizavam-se perto de centros urbanos, cultivavam a agricultura de subsistência, se beneficiando das condições geográficas da sua localização perto de rios e pântanos, produzindo produtos em pequena escala, desenvolvendo lucrativo comércio de lenha e formando as comunidades negras.Assim, o sincretismo, surgido pela convivência próxima entre religiões africanas e o catolicismo, levou a sobrevivência das tradições africanas, pois foi possível mesclar suas práticas .
            No trecho do artigo do historiador, João José Reis (1996, p. 20), ele esclarece alguns aspectos que para muitos seria inimaginável, ele ressalta a capacidade que os negros tinham de compor alianças sociais, e essas alianças se transformavam em interpenetrações culturais. Ele também afirma que “ os escravos e quilombolas foram forçados a mudar coisas que não mudariam se não submetidos à pressão escravocrata e colonial, mas foi deles a direção de muitas dessas mudanças, pois não permitiram transformar-se naquilo que o senhor desejava”, disso deriva a beleza da cultura africana.
O antropólogo Kabengele Munanga, partindo da mesma linha de raciocínio de João José Reis, e relação aos quilombos, ele afirma que “A transculturação parece-me um dado fundamental da cultura afro-brasileira. A “pureza” das culturas nagô e bantu é uma preocupação de alguns pesquisadores e nada tem a ver com as práticas e estratégias dos que nos legaram a chamada cultura negra no Brasil. Com efeito os escravos africanizados e seus descendentes nunca ficaram presos aos modelos ideológicos excludentes. Suas práticas e estratégias desenvolveram-se dentro do modelo transcultural, com o objetivo deformar identidades pessoais ricas e estáveis que não podiam estruturar-se unicamente dentro dos limites de sua cultura”. Ou seja, a transculturação faz parte de uma das características marcante do Brasil, e que esse fato não retira a pureza das religiões da África.
            Em relação ao sincretismo afro-brasileiro, Roberto DaMatta, vê no brasileiro a capacidade de unir tendências separadas por tradições diferentes, sendo assim, é possível afirmar que o brasileiro católico também é praticante de outras religiões e de relaciona-las entre si. Essas relações são percebidas claramente nas manifestações religiosas.
De acordo com as ideias do historiador Isambert, o renascimento pelo interesse dos estudo das religiões e da cultura popular, a partir de 1970,  resulta em uma grande discussão sobre o significado  do conceito de cultura popular, hoje bastante utilizado por historiadores porém ainda é  aceito com algumas restrições pelos cientistas sociais.
Segundo François, a partir do séc. XVIII ocorreu na Igreja Católica o divórcio entre uma religião urbana, escrita, individualizante, que passa a se opor a uma cultura religiosa das massas. Ele Considera que o sentido do termo cultura popular está relacionada à cultura das classes consideradas inferiores ou submissos, caracterizando a visão do conceito da distinção entre o popular e o oficial, entre o vivido e o doutrinal. Ele ainda ressalta que a religião popular de acordo com os conceitos da escola de Durkheim, Henri Hubert, diferenciava as “religiões de igrejas” e “religiões povo”, pois as religiões de igreja teriam doutrinas cultas e organizadas e as religiões do povo seriam constituídas por crenças e supertições.
Em seus estudos ele cita algumas ideias de Jean Séguy, que defende que as religiões populares são qualificadas por supertições, por conter elementos que as autoridades religiosas julgam conter presença de várias ideologias, em relação ao sistema no qual elas se apoiam. E também é atribuída como  sincrética, quando um grupo marginalizado organiza crenças e práticas retiradas de várias origens, formando um todo relativamente independente que a religião “oficial” critica e tenta combater. É qualificada ainda de práticas folclóricas ou tradicionais,por sua manifestações apresentarem  elementos integrado geralmente a uma festa.
Então, partindo da perspectiva de Séguy, citada por Isambert, constata-se que festas folclóricas, religiões populares, superstições e sincretismos, constituem fenômenos inter-relacionados. Lembrando que o conceito de religião e folclore são diferentes na pratica, porém se confundem por compartilharem algum aspectos.
            Um exemplo nítido do sincretismo presente no Brasil, são as festas populares e as manifestações folclóricas, nas práticas religiosas existem muitos elementos relacionados ao folclore, presentes nos gestos, cânticos, objetos e palavras sagradas.
            Outro exemplo de sincretismo que podemos citar são as festas do Divino Espírito Santo, realizada nos terreiros de tambor de mina do Maranhão, com a presença de elementos como o bumba-meu-boi, tambor de crioula, banquete para os cachorros, ladainhas, procissões e outros rituais que são oferecidos em homenagens e como pagamento de promessas. A realização das festas nos terreiros representa uma forma de manifestação da religiosidade popular e não pode ser vista como superstição, atraso ou ridicularizado como fator  que prejudica a pureza  da religião africana. Não se pode também dizer que o sincretismo foi um fenômeno que só funcionou no passado e que se encontra em desaparecimento, ao observar as manifestações populares hoje em dia, isso ainda se faz muito presente.
            Dessa forma, podemos concluir que o sincretismo é importante e presente em todas as formas de religião, seja em nas procissões, nas comemorações dos santos, nas diversas formas de pagamento de promessas, nas festas populares em geral. Não se pode menosprezar, negar essa mistura, pois ela é a responsável por relacionar a cultura africana da cultura brasileira. Seria uma estratégia de transculturação, da união daquilo que é oposto, mas se transforma em algo belo. Num país como o Brasil é impossível negar o sincretismo, pois a cultura presente resulta da junção de varias outras que formou essa diversidade, principalmente os elementos africanos que merecem ser valorizados e respeitados pela sua grandiosidade. O sincretismo não é algo negativo, mas é uma forma de valorizar e não desmerecer nenhuma religião.
            É visto que há certa resistência em relação as tradições originárias da África, mas se olharmos com mais sensatez, percebe-se que o Brasil não tem uma Cultura exclusiva, ela é formada por varias outras que se faz presente e todas elas foram importante para a formação da identidade do país, todas pó igual, sem desmerecer nenhuma delas, pois a junção de todas foi responsável pela formação cultura única e miscigenada. Assim, não há como banir ou desconsiderar a presença do sincretismo. 
Biografia
Ferretti, S. E. Sincretismo Afro-Brasileiro e Resistência Cultural.
Prandi, R. Referências sociais das religiões afro-brasileiras: sincretismo, branqueamento, africanização . Brasil: Universidade de São Paulo .


SOARES, Afonso Maria Ligorio. Sincretismo afro-católico no Brasil: lições de um povo em exílio. Revista de Estudos da Religião. Nº 3 / 2002 / pp. 45-75

Sincretismo afro-brasileiro


O sincretismo é a fusão de diferentes doutrinas para a formação de uma nova, seja de caráter filosófico, cultural ou religioso. O sincretismo mantém as características típicas das doutrinas-base, os costumes, crenças ideologias e outros. A palavra "sincretismo" se originou a partir do grego sygkretismós, que significa "reunião das ilhas de Creta contra um adversário em comum", que por sua vez foi traduzida para o francês syncrètisme, dando origem a variante na língua portuguesa.
O processo de sincretismo está ligado ao convívio de diferentes culturas, que ao estabelecerem uma comunicação entre grupos heterogêneos acabam por absorver e expandir as culturas opostas. Um exemplo deste processo de “mistura religiosa” foi à adaptação e absorção que o cristianismo fez de conceitos das religiões pagãs na Europa durante a consolidação da Igreja católica no continente. A Igreja utilizou os costumes e tradições dos pagãos em benefício da doutrina cristã, reconstruindo os discursos já estabelecidos nas sociedades pagãs em nome do cristianismo.
O sincretismo parece-nos evidente, no Brasil, pela própria história do país. Nossos colonizadores portugueses sempre contaram, em seu território, com a presença de povos de procedências diversas, desde os romanos, na Antiguidade e através de toda a Idade Média, com os chamados povos bárbaros, e, depois, com os árabes e judeus, até a época dos descobrimentos. Fomos formados, depois, com a contribuição das mais diversas culturas, procedentes do continente africano, que se somaram às numerosas nações indígenas encontradas em nosso vasto território. Assim o contato entre múltiplas culturas sempre foi característico de nossa sociedade, embora na maior parte do tempo, com predomínio da cultura branca dominante. O antropólogo Roberto da Matta, em diversas reflexões sobre a sociedade brasileira, defende o ponto de vista de que:

Devemos dar mais atenção a palavras como ‘misturas’, ‘confusão’, ‘combinação’ e outras mais, que designam aquilo que verdadeiramente é necessário conhecer: os interstícios e as simultaneidades ou, como tenho afirmado no meu trabalho, as ‘relações’ (1993, p. 129).

Em trabalho anterior, afirma que

[...] a sociedade brasileira é relacional. Um sistema onde o básico, o valor fundamental é relacionar, misturar, juntar, confundir, conciliar. Ficar no meio, descobrir a mediação e estabelecer a gradação, incluir (jamais excluir). Sintetizar modelos e posições parece constituir um aspecto central da ideologia dominante brasileira (Da Matta, 1987, p. 117).

Por isso o termo tem sido muito estudado no Brasil, porém, é curioso que haja tanta recusa, justamente aqui, que tem tantas diferenças culturais e diversidades.
O processo de sincretismo mais conhecido e estudado é o religioso, que assim como o cultural provém da interação entre diferentes doutrinas, costumes e crenças, se transformando num aglomerado de informações e diferentes contrastes e formações religiosas.
Segundo o antropólogo holandês André Droogers o termo sincretismo apresenta ambigüidade, pois é usado como significado objetivo na descrição da mistura de religiões, e com significado subjetivo que avalia a mistura de tais religiões. A partir do século XVII o termo passou a ser visto como negativo, contra a verdadeira religião.
No Brasil, este termo encontra-se bem distribuído e em expansão. O sincretismo religioso nasce desde a chegada dos primeiros colonizadores portugueses, se intensificando com a presença dos escravos africanos, que, em contato com a população nativa do Brasil (os indígenas), disseminou os seus costumes, rituais e tradições. Segundo o texto, as religiões são sincréticas, já que, apresentam e representam a mistura de várias religiões de diferentes nacionalidades. Podemos também observar a cultura brasileira como uma mistura da portuguesa e africana, que herdaram muitos costumes, como comida, música, palavras e tantas outras. Segundo Thornton, desde muito cedo, práticas cristãs foram misturadas com práticas das religiões africanas. As religiões de matriz africana foram incorporadas a cultura brasileira desde há muito, quando os primeiros escravizados desembarcaram no país e encontraram em sua religiosidade uma forma de preservar suas tradições, idiomas, conhecimentos e valores trazidos da África.
Apesar disso, há um grande preconceito com as religiões afro-brasileiras, pensadas de forma negativa que tenta diminuir as diversas formas religiosas trazidas pelos negros africanos para o Brasil na condição de escravos, formas estas que são rituais de muitas comunidades brasileiras como, por exemplo, Candomblé e Umbanda presentes em todos os estados do Brasil. E assim como tudo que fazia parte deste universo, tais religiões, apesar de sua influência e importância na construção da cultura nacional, também foram perseguidas e, em determinados momentos históricos, até proibidas.
Herskovits (1969:376) define sincretismo como uma forma de reinterpretação, que traz aspectos da mudança cultural com transformações de valores relacionados com as religiões afros. Até o final da década de 1950 os estudos sobre sincretismo no Brasil foram feitos na perspectiva da teoria da aculturação, mas para Renato Ortiz (1978) a aculturação valoriza a cultura desvalorizando a sociedade.
Thornton diz haver tolerância na interação entre religiões europeias e africanas nos séculos XVI XVII, além de uma grande ligação sincrética. Videira Pires contesta a afirmação de que o sincretismo afro-brasileiro é fruto de repressão política e/ou imposição religiosa sobre os africanos, para ele o surgimento das religiões afro-brasileiras é um modo de aculturação (grupo ou povo que se adapta a outra cultura ou dela retira traços significativos), já que os africanos ainda cultivam heranças da religiosidade católica.
O exemplo disto está Santo Antônio, considerado pelos africanos como uma espécie de bruxo poderoso comparado a Exu, também São Benedito, considerado protetor e padroeiro dos negros. Assim, os africanos associavam alguns santos católicos a seus orixás, sem se transformarem no que o seu senhor determinava, mas tinham sua própria identidade religiosa.
Segundo Stuart e Shaw (2005:7/8) sincretismo não é um termo fixo nem estático, pois seu sentido tem se modificado e transformado seu significado ao longo da história. Deve-se ir além das origens e composições religiosas, visto que são reconstituídas, deve-se salientar o processo de síntese religiosa.
A religião busca a verdade e a pureza para as normas e doutrinas, a religião tem grande influência na moral, por isso os líderes religiosos se opõem ao sincretismo que lembra poluição e mistura indevida, mas Pollak-Eltz (1996, p.3) lembra que a pureza religiosa é uma ideologia e um mito, talvez porque é certo que as religiões são de fato sincréticas e não tem como haver pureza absoluta em algo que se mistura e se engloba.
Sincretismo também tem um sentido de imposição, pois obriga uma determinada comunidade a aderir uma religião que não é a sua, como ideia de religião ideal, como aconteceu com os indígenas no processo de catequização, também com os escravos, que embora manifestassem de forma tímida e íntima suas crenças religiosas, foram catequizados e convertidos ao catolicismo pelos jesuítas. Com isso, os africanos, por imposição, tomaram afeição por alguns santos católicos substituindo-os por adoração a seus orixás, não deixando de cultuar os seus voduns nem confundi-los com os santos, mas expressavam sua fé individual nas imagens, e essa mistura se faz presente em muitas comunidades. Hoje não é mais necessário se esconder por trás de santos católicos pra mostrar e expressar sua fé, embora haja muito preconceito e individualismo, a sociedade é pluralista e não impede que africanos e demais pessoas de qualquer religião manifeste suas crenças. Porém, os ataques mais expressivos às religiões de matriz africana vêm das chamadas religiões ‘neopentecostais’(oneopentecostalismoou terceira onda do pentecostalismo é um movimento sectário dissidente do evangelicalismo que congrega denominações oriundas do pentecostalismo clássico ou mesmo das igrejas cristãs tradicionais (batistas, metodistas, etc.)), que comumente as rotulam de ‘culto aos demônios’, ‘crendices’ e ‘feitiçarias’.
Mas, existe uma polêmica que envolve o sincretismo no processo de comparação entre santos e orixás. Alguns líderes e intelectuais tentam combater o sincretismo com o objetivo de purificar a religião africana, visto que os orixás são caracterizados com particularidade dos santos católicos, quase todos brancos, como é o caso de Ogum, embora o sincretismo seja marca deixada pelo composto, mescla, cruzamento de comunidades e várias identidades, o africano, já que por muito tempo foi marginalizado, deveria mostrar a realidade de sua cultura religiosa de forma original e específica.
Os estudos e interesse do estado são escassos em relação ao conhecimento da história da África. A cultura africana é menos estudada do que outras civilizações que originaram a história humana. Essa deficiência é decorrente de descriminações acerca da cor da pele, da cultura, da religião vista como feitiçaria, zombaria e muito mais.
O povo africano, através de organizações religiosas manteve ligação, primeiramente espiritual e posteriormente física com as viagens de volta com o continente africano. Ainda hoje, inserido em uma nova lógica, os terreiros de candomblé se encontram na vanguarda pela resistência da cultura africana e afro-brasileira. Mesmo com os escassos incentivos do estado, continuam mantendo uma relação muito próxima das comunidades onde estão inseridos, realizando projetos sociais que se remetem a valorização e resgate da cultura afro-brasileira. Os poucos estudos sobre a história africana tentam resgatar a essência da África, sem se prender apenas na história de escravidão, tortura, maldade, descriminação, preconceito. É uma busca da grande e diversificada cultura que foi pioneira na formação de outros povos, e que merece respeito e respaldo diante de tantas belezas e riquezas próprias de um povo forte e guerreiro.
A música de Marcelo D2 mostra um pouco dessa persistência em manter suas origens, mesmo com a imposição religiosa do colonizador sobre o colonizado.

Busco nos mais velhos dos terreiros e tambores
Que assim fico mais forte, enfrento medos e minhas dores
No mundo de dinheiro, não se tem mais valores
Nos separam por classe, cores, escravos e senhores, é
Conquistar o meu espaço, eu olho pro futuro sem esquecer o passado
E se rebaixam assim mesmo, quer ser é elevado
Nos querem de humildes para sermos humilhados
Eu luto e não me rendo
Caio e não me vendo
Não recuo nem em pensamento
Sigo em movimento, que pra mim é natural
De resistência cultural
(Resistência Cultural (part. Helio Bentes e Siba)
Marcelo D2)

O sincretismo afro-brasileiro foi, segundo o texto, uma astúcia de sobrevivência e adaptação, trazidas pelos escravos para a nova realidade que era o Brasil. Não se pode negar a herança e importância da África na composição cultural brasileira, o Brasil é uma mistura de raças, de crenças, de dança, gastronomia, música, cor. Tudo isso vindo, sem dúvida, dos africanos que trouxeram brilho, vida para a cultura brasileira.
Dessa forma, é essencial que as pessoas respeitem a diversidade, seja ela de cor da pele, cultural ou religiosa. O sincretismo é consequência do emanado de sociedades e culturas distintas e deve ser respeitada. Não se deve ridiculariza, desfazer, zombar, ironizar nenhuma forma de representação popular, religiosa ou não, cada comunidade tem traços e aparatos específicos de vida em conjunto, caçoar disso é diminuir um perante o outro e uma forma de preconceito. Num Brasil tão diversificado e completo, já deveríamos ter entendido que ser diferente é normal.





Referências bibliográficas:

http://www.graduacaounead.uneb.br/pluginfile.php/35653/mod_resource/content/1/Texto%20Resumo-%20Atividade%20Regular.pdf
https://www.significados.com.br/sincretismo/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Religi%C3%B5es_afro-brasileiras
http://www.portalsaofrancisco.com.br/historia-do-brasil/religiosidade-dos-escravos
http://www.gpmina.ufma.br/pastas/doc/Multiculturalismo%20e%20Sincretismo.pdf
https://www.google.com.br/search?q=neopentecostais+significado&oq=neopetencostais+&aqs=chrome.1.69i57j0l5.7883j0j7&sourceid=chrome&ie=UTF-8
http://www.acordacultura.org.br/artigos/18102013/religiosidade-as-religioes-de-matriz-africana-e-a-escola
http://www.faculdadealfredonasser.edu.br/files/pesquisa/A%20RESIST%C3%8ANCIA%20DA%20CULTURA%20AFRICANA%20NOS%20RITUAIS%20DE%20CANDOMBL%C3%89%20KETU.pdf
https://www.letras.mus.br/marcelo-d2/resistencia-cultural/



sexta-feira, 12 de maio de 2017

Participação da África no Conhecimento Humano

A África possui uma diversidade cultural imensa, cerca de 70 diferentes grupos étnicos em alguns países, por isso deve sempre ser observada com um olhar amplo, e não com uma visão eurocêntrica, pois a verdadeira história africana foi ocultada pelos colonizadores europeus. A ideia que se tem da África de acordo com a historiografia alienada de uma visão preconceituosa é de que é um continente que o civilizado ainda não chegou, cujo todo o povo, são seres selvagens, repugnantes, debilitados, imorais e, por isso, não possui nenhum conhecimento que sirva para o resto do mundo, um povo miserável.

Há séculos a África é explorada pelas potências mundiais, é o continente menos desenvolvido do planeta, porém existem riquezas, mesmo sendo marcado por sinais de pobreza, possuindo enormes riquezas minerais e energéticas, mas por conta de uma má estrutura governamental as desigualdades são extremas e a pobreza se alastra. Por isso é tão difícil identificar os traços do passado intelectual e científico desses povos em nossa realidade. Além da visão racista que a cor negra é inferior.

Historiadores, arqueólogos e vários outros pesquisadores, lutam para quebrar os paradigmas da historiografia eurocêntrica da África. Foram encontrados, no continente, vários sítios arqueológicos que identifica que foi lá que surgiu a primeira civilização humana: o Egito, com todo seu mistério, sua arquitetura, matemática astronomia, é um exemplo da criatividade e inteligência humana.
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quarta-feira, 10 de maio de 2017

Raiz de Todo Bem - Saulo

Salvador, Bahia, território africano 
Baiano sou eu, é você, somos nós, 
Uma voz, um tambor 
Oxente, cê num tá vendo que a gente é nordeste? 
Cabra da peste. 
Sai daí batucador. 
Quem foi seu mestre? 
Capoeira 

Se plante 
Lá vem rasteira 
Pé de ladeira 
Preciso da fé no Senhor do Bonfim 
Pra mim, pra você, pra mim 
Um chinelo de couro, uma bata, 
Uma benção, mais cinquenta centavos de som 
Aumenta o som! 

África, iô iô. 
Salvador, meu amor, 
A raiz de todo bem, de tanta fé, 
Do canto Candomblé 

África, iô iô. 
Salvador, meu amor, 
A raiz de todo bem, de tanta fé, 
Do canto Candomblé 

Salvador, Bahia, território africano 
Baiano sou eu, é você, somos nós, 
Uma voz, um tambor 
Oxente, cê num tá vendo que a gente é nordeste? 
Cabra da peste. 
Sai daí batucador. 
Quem foi seu mestre? 
Capoeira 

Se plante 
Lá vem rasteira 
Pé de ladeira 
Preciso da fé no Senhor do Bonfim 
Pra mim, pra você, pra mim 
Um chinelo de couro, uma bata, 
Uma benção, mais cinquenta centavos de som 
Aumenta o som! 

terça-feira, 9 de maio de 2017

Cultura africana no Brasil

Toda essa diversidade foi se expandindo pelo mundo, principalmente nos países colonizados pelos europeus. Essa expansão se deu quando os povos africanos foram trazidos para a América como escravos. No Brasil há uma forte influência da cultura africana. Os escravos trazidos para o país pertenciam a diversas etnias, falavam línguas diferentes e tinham tradições distintas, trazendo consigo toda essa bagagem, os negros foram importantes colaboradores na formação da identidade cultural brasileira.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

A África na verdade é um continente de grande diversidade cultural, apresenta milhares de culturas diferenciadas como: a religião, idioma, a maneira de vestir, a alimentação, organização social, traços físicos etc e essas diversidades tem uma forte ligação na formação da cultura brasileira.

Mesmo não tenha sido satisfatório os primeiros contatos dos africanos com os brasileiros, por terem sido comercializados com o objetivo de fornecer a mão de obra escrava,tornando-se lucrativo  para o enriquecimento das colônias da América. E mesmo assim na condição de escravos os africanos transmitiram uma grande influência para o desenvolvimento da cultura  dos brasileiros como,dança música,costumes,idiomas,alimentação diversificadas, também foram trazidas pelos negreiros um vocabulário de palavras que são utilizadas no cotidiano e uma forte influência na religião.Vale ressaltar que os costumes, tradições culturais todo esse processo,  houve contribuições  da miscigenação e além do mais os africanos vieram de diferentes regiões da África.

Tudo isso são coisas que os brasileiros herdaram  dos africanos, dos indígenas e prevalece ate hoje. Os africanos foram povos que sofreram muito aqui no Brasil, mas trouxeram consigo características que não se perderam nem mesmo com o passar do tempo  adequando-se  a tantos avanços moderno, ainda permanece e são coisas valiosas e importante na vida do povo brasileiro.

Diversidade cultural africana

O Brasil é herdeiro de hábitos, tradições que foram legadas pelas três matrizes dos povos formadores da cultura brasileira: o europeu, o índio e o africano. Da África vieram 3,8 milhões de pessoas para trabalhar como escravos no Brasil. Segundo o historiador Luis Felipe de Alencastro (200) "dez milhões de escravos africanos desembarcaram no continente americano entre os séculos XVI e XIX". Por isso podemos perceber o quanto os africanos trouxeram consigo influências para o Brasil.
A África com seus cinquenta e três países, povoada por quase 800 milhões de habitantes apresenta também grande diversidade cultural. A Nigéria é habitada por 250 grupos étnicos, os quais vem de quatro etnias diferentes: houçás (21% da população) e fulas (9%) no norte do país, iorubás (20%) no sudoeste e ibas (16%) no sudeste. Eles se diferenciam pelo idioma, história e costumes, também pelo tamanho, poder e influência.
Não se pode deixar de citar também a África das savanas e das florestas tropicais com a diversidade exuberante da fauna e flora. A África é um complexo de milhares de culturas diferentes. Na religião, no idioma, na maneira de vestir, na alimentação, na organização social, política, da produção econômica, e até nos traços físicos.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Continente Africano

A África é um continente marcado pelas belezas naturais e pela ampla vida selvagem. Porém sua característica mais relevante é a diversidade presentes em vários aspectos, pode-se encontrar no mesmo continente vales férteis, até desertos imenso, como o Saara. Outro contraste bem aparente são as diferenças sócio-econômicas, como a riqueza e a pobreza presente  em toda a extensão territorial.
O continente africano é considerado o "berço da humanidade", pelo fato de já ter vivido as civilizações mais antigas que podemos imaginar, como os egípcios, por exemplo, donos de um poder e uma riqueza impressionante. Supõe-se que foi na África que surgiu a espécie humana, pois em seu território foram encontrados fósseis antigos de hominídeos a cerca de 5 milhões de anos.
 No Brasil foi constatado já desde sua gênese que é uma nação heterogênea, mesmo antes do seu descobrimento, já era fonte de culturas, costumes e crenças muito ricas. Mas com a chegada dos povos europeus a estas novas terras, estas culturas acabaram por serem inferiorizadas juntamente com seus povos. O que consequentemente acabou por trazer não só a mistura de raças e culturas distintas ao Brasil, mas com elas os conflitos e a escravidão.

Economia na Bahia Republicana e em Pintadas-BA​

No período da Primeira República o estado da Bahia foi vítima de uma considerável negligência por parte do Governo brasileiro. Que favorecia...

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